Trincheira entregue, viaduto em ritmo acelerado e uma pergunta cada vez mais difícil de ignorar: por que a revitalização da principal avenida de Telêmaco Borba continua cercada de atrasos, transtornos e incertezas?
Telêmaco Borba está vivendo um curioso contraste em sua infraestrutura. De um lado, obras de grande porte avançaram e já produziram resultados concretos. Do outro, uma obra municipal que deveria transformar uma das principais avenidas da cidade continua sendo motivo de reclamações, questionamentos e cobranças.
E talvez o contraste seja mais importante do que qualquer discurso político.
A trincheira que saiu do papel
No dia 28 de março de 2026, Telêmaco Borba ganhou uma nova ligação viária entre a Vila Ozório e o Socomim. A Trincheira da Vila Ozório, construída na PR-160, foi inaugurada pelo governador Ratinho Junior. A obra recebeu investimento de R$ 32,3 milhões e foi realizada em parceria com a Klabin.
Não estamos falando de uma simples melhoria de rua. É uma intervenção de infraestrutura pesada, capaz de alterar a circulação de veículos, facilitar a ligação entre bairros e melhorar a segurança no trânsito. E ela foi entregue.
A obra começou a tomar forma ainda em 2025, passou por etapas de interdição, retirada da antiga passarela e execução da estrutura até chegar à inauguração em março de 2026.
E agora vem o viaduto da PR-160
Como se a trincheira não fosse suficiente para mostrar a capacidade de execução de grandes projetos, outro empreendimento importante está avançando em Telêmaco Borba: o novo viaduto que liga a PR-160 à Estrada Max Staudacher, substituindo a antiga rotatória.
O investimento anunciado é de aproximadamente R$ 17,18 milhões. Em julho de 2026, a obra já estava em uma etapa bastante concreta: o lançamento das vigas longarinas e das pré-lajes da estrutura.
Ou seja: não é promessa, projeto em apresentação ou maquete. É obra acontecendo.
Mas existe outro lado dessa história
Enquanto isso, no coração da cidade, a situação da Avenida Horácio Klabin é muito diferente. O projeto de revitalização foi apresentado em abril de 2024. Na ocasião, a Prefeitura apresentou uma proposta de aproximadamente R$ 13 milhões, com prazo estimado de 12 meses para execução.
Só que o calendário passou. E a obra não terminou.
Em agosto de 2026, vereadores chegaram a questionar oficialmente a Prefeitura porque, segundo dados do Portal da Transparência citados no requerimento, apenas 47,07% da obra havia sido concluída, mesmo com o prazo contratual de 12 meses já chegando ao fim.
A situação chegou a tal ponto que a Câmara aprovou requerimento para convocar secretários, técnicos, engenheiros, fiscais do contrato, representantes da empresa responsável, Copel e representantes do setor produtivo para prestar esclarecimentos sobre a execução da obra.
E os comerciantes sabem o preço de uma obra que demora: interdições, acessos prejudicados, poeira, buracos, dificuldade para estacionar, circulação comprometida e, principalmente, incerteza sobre quando tudo finalmente estará pronto.
A Prefeitura afirma que a obra segue o cronograma e que a fase atual envolve trabalhos complexos no subsolo, incluindo redes de água, esgoto e cabos.
A explicação pode ser tecnicamente válida. Mas existe uma pergunta que continua legítima: quanto tempo uma população deve esperar para receber aquilo que foi prometido?
O que esse contraste nos ensina?
É aqui que a discussão deixa de ser apenas sobre concreto, asfalto e máquinas. Ela passa a ser sobre incentivos.
Quando uma empresa investe dezenas de milhões de reais, ela precisa entregar resultado. Precisa controlar custos, cumprir etapas, resolver problemas e colocar o empreendimento para funcionar. O atraso custa dinheiro. A ineficiência custa dinheiro. A obra parada custa dinheiro. O cliente reclama. O mercado pune.
Na administração pública, a lógica é diferente. O dinheiro utilizado não pertence originalmente ao gestor. É dinheiro arrecadado da sociedade. E quando uma obra demora, quem normalmente continua pagando a conta é o próprio contribuinte.
É justamente por isso que obras públicas precisam de ainda mais cobrança, transparência e fiscalização.
O contribuinte não deveria aceitar o "é complicado"
Quem paga impostos não quer ouvir que uma obra é complexa — quer vê-la entregue. Problemas de subsolo, redes, chuva e imprevistos existem, mas é para isso que servem planejamento, orçamento e fiscalização.
A comparação é didática: enquanto a trincheira já foi entregue e o viaduto avança, a avenida central segue com uma obra que prometia 12 meses e, segundo a própria Câmara, estava pouco abaixo da metade do caminho quando o prazo já havia vencido.
E a pergunta fica para a Prefeitura
A administração da prefeita Rita Mara de Paula Araújo precisa responder com números, não discursos: qual o novo prazo, quanto já foi pago, o que falta, quem é responsável pelos atrasos e por quê.
No fim, existe uma diferença fundamental entre anunciar progresso e entregar progresso. Enquanto isso, a trincheira está pronta, o viaduto avança — e a Avenida Horácio Klabin continua esperando.


